Projeto CE-DOHS
Corpus Eletrônico de Documentos Históricos do Sertão


FAPESB, Processo 5566/2010 - Consepe 202/2010

Coordenação:

Zenaide de Oliveira Novais Carneiro
(UEFS/FAPESB/CNPq)

Mariana Fagundes de Oliveira
(UEFS/FAPESB)

Feira de Santana - BA, Brasil

Corpus Eletrônico de Documentos Históricos do Sertão [ CE-DOHS ]

Livros de Fazenda (1755-1832)

O arquivo do Sobrado do Brejo, da família Pinheiro Canguçu, era um volumoso repositório de centenas de papéis até os primeiros anos do século XX: livros comerciais e memoriais (O Livro do Gado e o Livro de Razão), patentes militares, documentos relativos ao Santo Ofício, testamentos, instrumentos de doações, papéis referentes a escravos, papéis contendo a descrição de limites de algumas propriedades rurais, certificados de aquisição de ações de estrada de ferro, recibos, cartas e outros documentos concernentes a negócios de pecuária, de algodão, entre outros vários, letras de câmbio, recibos de pagamento de impostos, recibos de assinatura de jornais, cópias e originais de papéis forenses, incluindo os relativos a processos judiciais originados de uma luta entre famílias, cartas, bilhetes e documentos outros referentes à mesma luta de morte travada entre Mouras e Canguçus, papéis e cartas de natureza política e social, cópias de receitas para preparação de doces e vinhos, cópias de receitas médicas, fotografias. Depois do falecimento do último Senhor do Brejo, Exupério Pinheiro Canguçu, o arquivo manteve-se intacto por alguns poucos anos até os documentos e os papéis serem paulatinamente repartidos (SANTOS FILHO, 1956). Fazem parte do nosso Banco de Dados o Livro do Gado e o Livro de Razão, testemunhos histórico-linguísticos dos séculos XVIII e XIX.

O “Livro do Gado” e o “Livro de Razão” são velhos memoriais, do século XVIII, os dois livros manuscritos que se conservaram no arquivo do Sobrado do Brejo, arquivo da família Pinheiro Canguçu, na Fazenda de criação do “Brejo do Campo Seco”, no município de Bom Jesus dos Meiras, nos sertões da Bahia, hoje denominado Brumado. Os referidos livros são considerados a porção mais valiosa do arquivo do Sobrado do Brejo, conservados, no estado de São Paulo, por dois netos de Exupério Pinheiro Canguçu, falecido em 1900, o último senhor do “Brejo”. Peças raras – sob o ponto de vista histórico, econômico-social e linguístico –, o “Livro do Gado” e o “Livro de Razão”, depositados em mãos de Marieta Betim Pais Leme Canguçu, em Campinas, e Hermengarda Fraga Canguçu, em Bauru, as viúvas, respectivamente, de Artur Gutierrez Canguçu e Inocêncio Canguçu, os netos, foram por elas disponibilizados a Lycurgo Santos Filho, que, com base neles e noutros papéis e objetos do arquivo do Sobrado do Brejo aos quais teve acesso, escreveu Uma comunidade rural do Brasil Antigo: aspectos da vida patriarcal no sertão da Bahia nos séculos XVIII e XIX, publicado em 1956.

O “Livro do Gado” e o “Livro de Razão”, da época em que os criadores do Nordeste baiano possuíam livros para a escrituração de suas operações comerciais, agrícolas e pastoris, século XVIII, foram escritos por três gerações e guardados pela quarta e pelas seguintes gerações. Escreveram nos livros o português Miguel Lourenço, o primeiro senhor do “Brejo”, de 1755 a 1785, seu genro, o brasileiro Antônio Pinheiro Pinto, de 1794 a 1822, e seu neto, também brasileiro, Inocêncio Pinheiro Canguçu, de 1822 a 1832. O bisneto de Miguel Lourenço, o brasileiro Exupério Pinheiro Canguçu, último senhor do “Brejo”, como já foi dito, não escreveu nos livros.

Foram escritos, naturalmente, em papel de procedência europeia (pois a indústria do papel só teve início no Brasil no final do século XIX) e com tinta de coloração preta ou vermelha. No “Livro do Gado”, com 57 folhas, registraram-se as operações pastoris, de campo, como a marcação de bezerros, de poldros e poldras e de muares, a distribuição de animais pelas várias fazendas, etc. No “Livro de Razão”, com 195 folhas, há registros de dívidas e empréstimos, de vendas de tecidos, roupas feitas, ferramentas, gêneros alimentícios, armas de fogo, negócios de gado, aquisição de escravos, pagamento de dízimos, gastos com a constrição do Sobrado do Brejo, ajuste de empregados etc.

Trata-se de um material altamente relevante – representativo do português brasileiro setecentista – para o Projeto para a História do Português Brasileiro (PHPB), que vem divulgando corpora manuscritos e impressos de períodos pretéritos, para estudo da mudança linguística.

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Projeto Vozes do Sertão em Dados: história, povos e formação do português brasileiro (CNPq. Processo 401433/2009-9 - Consepe 102/2009) (acessar)